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Grupo de teatro do Câmpus Canoinhas estreia espetáculo Bailei na Curva PDF Imprimir E-mail
Qui, 07 de Dezembro de 2017 14:55

A história do Brasil entre o golpe militar de 1964 e o movimento das Diretas Já, em 1984, é o pano de fundo da peça Bailei na Curva, apresentado pelo grupo de teatro É o quê?, do Câmpus Canoinhas, nos dias 29 de novembro e 6 de dezembro. As duas apresentações tiveram casa cheia e aprovação do público, que se emocionou com a trajetória de Ana, Pedro, Gabriela, Caco, Paulo, Ruth e Luciana, da infância na mesma rua na cidade de Porto Alegre (RS) à vida adulta, com suas inevitáveis separações e perdas trágicas.

 

No palco, trinta atores interpretaram os 48 personagens idealizados pelo dramaturgo gaúcho Júlio Contes para a primeira encenação, em 1983. Trata-se de uma comédia dramática de grande sucesso e com várias montagens. No Câmpus Canoinhas, a versão é dirigida pelos professores de artes Micheline Barros, do Câmpus Canoinhas, e Moacir Barbosa Guimarães, de São Mateus do Sul.

 

Segundo os professores, um dos motivos da escolha da peça foi justamente o tema. “Ela fala da nossa história. Uma história que está se repetindo de certa forma”, comenta Micheline. “É importante que os jovens entendam este período histórico, porque as pessoas não fazem ideia do que aconteceu, do que foi o sofrimento das famílias”, completa Moacir.

 

Para Hayane Dobrikopf, de 17 anos, e Fabiana Kogi, de 14, a peça realmente foi uma aula de história. “Foi muito bom conhecer o contexto histórico por um outro lado. A gente sempre via como foi a ditadura para o país, mas não para as famílias e como isso tirou a inocência das crianças”, explica Hayane, que está no segundo ano do curso técnico integrado em Edificações.

 

“A gente tira várias lições. Antes, por exemplo, era tudo mais difícil. Mas, as crianças tinham uma infância mais inocente, brincavam mais e eram mais unidas”, comenta Fabiana, que está no nono ano do ensino fundamental na Escola Tempo Feliz e aguarda o resultado do processo de seleção para o curso integrado em Edificações.

 

A adolescente entrou no grupo no ano passado para complementar sua formação na área artística. Fabiana faz dança desde criança e encontrou no teatro um aprendizado diferente. “Aprendi a controlar minha timidez e melhorei a interpretação e expressão corporal”, conta. Hayane também ganhou mais confiança depois que começou a fazer teatro. “Gosto do jeito que o teatro tem de fazer com que todo mundo trabalhe junto, envolvido”, ressalta a estudante do IFSC.

 

A superação dos alunos foi perceptível para a professora de Química, Mônia Stremel Azevedo, que viu as duas apresentações no Câmpus Canoinhas e pôde comparar com uma montagem profissional que assistiu no final da década de 90, no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, quando trabalhava como técnica em química e se preparava para fazer a faculdade. “Fiquei surpresa com o desempenho dos alunos, que trabalharam com dedicação. Vi atores nascendo ali”, diz entusiasmada.

 

O grupo É o quê? foi criado no ano passado pelo Núcleo de Cultura e Arte (NuCA) do Câmpus Canoinhas com o objetivo de ser um espaço de aprendizagem, tanto para os alunos do IFSC quanto para os participantes da comunidade externa. “O teatro é uma linguagem artística bem completa, porque trabalha interpretação, artes visuais, literatura e história e desenvolve a oralidade, o auto planejamento e a socialização”, explica professora Micheline.

 

Bailei na curva

 

Sinopse:

Mostra a trajetória de sete crianças, vizinhas na mesma rua em abril de 1964. Como pano de fundo, impõe-se uma forte realidade: um golpe militar num país democrático da América Latina. A peça inicia sua história em 1° de abril de 1964 e encerra no dia oficial da morte de Tancredo Neves, quando um bebê, representando o futuro, é embalado em cena ao som da música Horizontes.

 

A peça desenha, ao mesmo tempo, um quadro divertido e implacável da realidade. Divertido sob o ponto de vista da pureza e ingenuidade das personagens que, durante sua trajetória, enfrentam as transformações do final da infância, adolescência e juventude. Implacável graças às consequências de um golpe militar que vão refletir na vida adulta destas personagens.

 

Durante o desenvolvimento da história, vai-se desenhando um painel dos usos, costumes e pensamentos da sociedade brasileira na segunda metade do século XX: as brincadeiras de colégio, as aulas de educação sexual, as matinês no cinema, as reuniões dançantes nas garagens, os namoros no carro, uma juventude que opta pela guerrilha e clandestinidade em contraste a outra juventude que abraça as drogas e cai na estrada e, finalmente, adultos que optaram pelas conquistas individuais na negação do passado em contraste com aqueles que lutaram para resgatar as memórias dos anos de chumbo.

 

Personagens centrais:

Ana – a filha de um militar que, em sua infância e adolescência, gosta de Pedro.

Pedro – jovem cujo pai é um sindicalista ligado ao antigo PTB e a mãe, D. Elvira, é uma costureira.

Gabriela – irmã de Pedro; sonha ser médica.

Caco – filho de um empresário em ascensão e engajado no movimento militar; acredita em Deus, pátria e família; mora na frente da casa de Paulo.

Paulo – filho de um professor universitário e ideólogo da esquerda.

Ruth – filha da diretora do colégio.

Luciana – a irmã mais moça de Ruth.

 

Clique aqui para ver as fotos na página do Câmpus Canoinhas do IFSC no Facebook.


Por Liane Dani | Jornalista IFSC

 
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