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Prêmio IFSC de Literatura: alunos usam poesia para expressar sentimentos e emoções PDF Imprimir E-mail
Seg, 10 de Abril de 2017 13:54

Aos 16 anos, os alunos Ernani Antonio Wolter Júnior e Isabela Cristina Mota, do 3º módulo do técnico integrado em Alimentos do Câmpus Canoinhas, compartilham muito mais que trabalhos escolares e as dúvidas frequentes da adolescência. Apaixonados pela leitura e escrita, os dois escrevem para extravasar sentimentos e emoções que nem sempre conseguem exprimir com a fala. Uma atividade que já dá sinais de que pode se transformar em uma carreira bem-sucedida. Suas poesias foram publicadas no livro de coletânea de contos e poesias do I Prêmio IFSC de Literatura, realizado pelo Câmpus Jaraguá do Sul – Rau.

 

“Eu sou uma pessoa muito fechada e com grande dificuldade para falar sobre meus sentimentos, então a escrita sempre foi um refúgio para mim, onde eu conseguia falar sobre meus sentimentos de maneira mais aberta”, conta Isabela. “Escrever é uma maneira de se expressar, não só para que não morramos afogados, mas para que as pessoas conheçam um pouco de nós”, revela Ernani, que complementa: “É uma tarefa que eu recomendaria que as pessoas experimentassem. Todos nós somos um universo, temos diferentes histórias, diferentes pontos de vista. Vivemos diferentes sentimentos.”

 

Para o concurso, Ernani inscreveu a poesia Partiste para Sempre – A Cantiga, retirada de um trabalho escolar. “Minha professora de português, Claudia Tomaselli, apresentou o conteúdo sobre Cantigas, tanto de amigo quanto de escárnio. Era uma semana corrida, deixei para fazer a tarefa nas últimas horas, na noite anterior. Apesar do sono, a escrita da poesia fluiu naturalmente, não precisei revisá-la tantas vezes e nem demorei tanto tempo para passar de uma estrofe a outra. Senti que o resultado havia ficado bom”, conta.

 

Quando foi avisado sobre o Prêmio IFSC de Literatura, Ernani pensava em escrever algo novo para a avaliação dos julgadores, mas acabou deixando para o último dia. “Fui a última pessoa a se inscrever no concurso. Lembrei-me da poesia que havia escrito para a aula e senti que, mesmo que não ganhasse, valia a pena arriscar e adquirir uma nova experiência. Foi quase uma maratona. Quando o texto estava digitado, o site pediu outras informações, das quais tive que correr para digitá-las. Cliquei a tecla enter e quinze segundos depois, o prazo para inscrições se encerrou; a meia-noite havia chegado”, narra o aluno, como se fosse uma crônica. Como o limite era de 25 linhas, Ernani teve que cortar algumas estrofes do poema original.

 

O limite máximo de linhas foi decisivo para Isabela, que concorreu com a poesia Medo, escrita logo após ter seu “coração partido pela primeira vez”. “Eu detesto a poesia que foi selecionada”, confessa. E por que foi inscrita? “Eu lhe conto. Eu estava inscrevendo minha melhor poesia, considerada por mim e meu julgamento crítico, quando apareceu uma mensagem em minha tela dizendo que eu havia ultrapassado o limite de caracteres disponíveis e eu nem tinha chegado à metade da poesia”, descreve Isabela, que faz questão de contar todos os detalhes de sua “aventura”.

 

“Fui choramingando para minha mãe e ela me disse para tentar outras, algumas mais curtas, mas eu não gostava das curtas; eram infantis e bobas. Acabei por inscrever a ‘Medo’, que agora se tornou um de meus orgulhos”, completa. “A Isabela que escreveu ‘Medo’ era muito insegura. Eu vejo uma evolução em mim. Hoje sou mais segura, menos medrosa e sei tomar o controle da situação quando necessário. Ainda sou tímida demais para me abrir e continuo a escrever sobre meus sentimentos sempre que posso.”

 

Da leitura à escrita

 

Como bons escritores, Ernani e Isabela também são bons leitores. “Sempre fui apaixonada pelas palavras e, desde muito pequena, os livros sempre me atraíam. Quando não sabia ler, pedia para minha mãe narrar as histórias para mim até eu decorar e poder trocar de lugar com ela”, lembra Isabela. “A literatura nos faz desvendar um universo desconhecido. Universo esse que pode estar contido na mais mirabolante história ou até numa simples xícara de café em cima da mesa. Ela nos faz entender que é possível captar milhares de pontos de vista até da monotonia da vida diária. E é isso que eu acho fascinante. Por trás de cada história, uma mensagem; e por trás de cada mensagem, uma motivação”, filosofa Ernani.

 

“Minha paixão pela escrita começou muito cedo, desde que comecei a ter mais relações sociais. Então creio que comecei a sentir interesse por escrever logo que aprendi”, conta Isabela, que prefere escrever poesias, tanto que tem um caderno cheio delas. “Mas quando tenho um pouco mais de tempo, também gosto de escrever crônicas ou simplesmente textos relacionados a assuntos que muitas vezes incomodam as pessoas, e elas preferem ignorar.”

 

O Prêmio IFSC de Literatura é o segundo concurso que a jovem participa. O primeiro foi no ano passado, quando foi selecionada no Concurso Nacional Novos Poetas (CNNP), com a poesia Como as fases da Lua, que fala sobre a mudança constante dos sentimentos. “Eu não tinha muita esperança de ser selecionada, nem neste, nem no Prêmio IFSC. Inscrevi-me apenas para ter alguma experiência e ver o que os outros achavam do que eu escrevia. Eu achei maravilhosa a sensação de ter uma criação minha em um livro de verdade!”

 

Esta também foi a segunda participação de Ernani em algum tipo de concurso. No ano passado, ele ficou entre os alunos selecionados para a etapa estadual da 5ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, com a crônica Minha araucária (veja aqui). “Eu sempre gostei de transmitir sentimentos fortes, de tocar pessoas, de relatar diferentes dramas da vida real através da escrita. Desde que comecei a escrever gostava desses tipos de histórias, que nos motivam a pensar e que nem sempre possuem finais felizes, porque nem sempre a vida é justa”.

 

Ernani começou a escrever para as aulas de português ainda no Ensino Fundamental. “Naquele tempo, optava por muitas histórias hilárias. Comecei a ficar mais sério do ano passado para cá. Acho que as mudanças fazem parte e gosto de variar às vezes, mas sem pressões. Deixo tudo acontecer e, no caso, a escrita fluir”.

 

O I Prêmio IFSC de Literatura foi realizado pelo Câmpus Jaraguá do Sul – Rau, por meio de projeto coordenado pelo servidor e escritor Rodrigo Domit e contemplado pelo Edital 11/2016 – Mostra de Arte e Cultura Didascálico, da Pró-Reitoria de Extensão do IFSC. Dos 349 textos inscritos, 69 foram selecionados para a coletânea de contos e poesias, englobando alunos e servidores do IFSC e comunidade externa. O livro impresso foi lançado oficialmente no dia 21 de março, no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mestre Manequinha, em Jaraguá do Sul.

 

Agora, confira as poesias dos jovens escritores contempladas no concurso:

 

Medo

- Isabela Cristina Mota


Eu tenho medo

Medo de ceder com esse seu sorriso logo cedo

que me faz derreter

 

Eu tenho medo

Medo do seu toque

que acaba com o estoque de orgulho que há em mim

 

Eu tenho medo

de que nada disso se resolva,

e eu me iluda toda te querendo feito boba

 

Eu tenho medo

Medo que eu me perca nessa ida

e esqueça de restaurar a minha vida

 

Eu tenho medo

Medo que seja em vão

a minha tentativa de reconstruir tudo, depois dessa confusão

 

Partiste Para Sempre - A Cantiga

- Ernani Antonio Wolter Júnior


Sou acaso vítima

Desse sentimento oblíquo?

Quão pesaroso é

Ver seu coração longínquo.

 

Oh, meu amigo.

Que o mar lhe traga a mim.

Que sua voz me seja agradável

Como as flores de jasmim.

 

Saíste sem aviso prévio,

Abandonaste o meu leito,

As noites tornaram-se sôfregas,

Arderam chamas em meu peito.

 

Oh, meu amigo.

Que o navio não tenha partido,

Que o tempo revogue as escolhas,

Que tomaste sem ter consentido.

 

A lua minguante ilumina meus prantos,

Contemplo-a junto ao som do mar,

Maldito seja, oceano impetuoso,

Que meu amado teve de levar.

 

Oh, meu amigo.

Desejaria eu que não tivesses cedido,

Para em esperança de guerra, no combate atuar,

Pois pelas ondas do mar, foste engolido.

 

Resta-me o silêncio do vazio sublime,

Sobra-me a dor em meu coração,

No qual as saudades chagas abriram,

Chagas as quais jamais cicatrizarão.

 

Oh, meu amigo.

Quisera eu que tivesses permanecido,

Encheu-se meu peito de amor,

E em seu esplendor, acabara ferido.

Oh, meu amigo…

 

* A parte em itálico foi suprimida do poema inscrito no I Prêmio IFSC de Literatura para atender ao limite de linhas estabelecido pelo regulamento do concurso.

 

Por Liane Dani | Jornalista IFSC

Fotos: Luciano Heusser Malfatti

 
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